29 out Você vive se sentindo distraido, começa mil coisas e termina poucas? Talvez não seja “falta de foco” – pode ser TDAH
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O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade não é algo que “surge” na vida adulta. Trata-se de um transtorno do neurodesenvolvimento, que começa na infância — ainda que, em muitos casos, o diagnóstico só venha bem mais tarde.
A hiperatividade, tão evidente em crianças, costuma diminuir na adolescência e na idade adulta, mas a inquietação interna e a necessidade constante de estar ocupado podem permanecer. Essa sensação de estar sempre em movimento — mesmo quando o corpo está parado — é uma das manifestações mais comuns do TDAH em adultos.
Não ter sido diagnosticado quando criança não significa que você não tenha TDAH.
Ter sintomas mais leves ou diferentes do que tinha na infância também não significa que o transtorno desapareceu.
Mas, se nenhum sintoma esteve presente antes dos 12 a 16 anos, é provável que se trate de outra condição (como ansiedade, depressão ou até causas neurológicas).
Como saber se o TDAH está presente na vida adulta?
Os sintomas precisam estar presentes há pelo menos seis meses e causar prejuízo real em áreas importantes da vida, como o trabalho, estudos, relacionamentos e finanças.
Alguns sinais comuns incluem:
Dificuldade em manter a atenção e se concentrar;
Esquecimentos frequentes;
Tomar decisões de forma impulsiva;
Dificuldade em seguir instruções ou finalizar tarefas;
Sensação constante de estar sobrecarregado ou “fazendo mil coisas e não terminando nenhuma”;
Problemas de organização;
Interromper os outros em conversas;
Falar demais ou sentir que não consegue parar;
Inquietação interna, como se precisasse estar sempre em movimento.
Quando o TDAH começa a causar prejuízos
A diferença entre ter traços de desatenção e ter o transtorno está no impacto que isso causa no dia a dia.
Esses prejuízos podem aparecer de diferentes formas, desde a infância até a vida adulta:
🧒 Na infância:
Conflitos familiares frequentes;
Dificuldade de relacionamento com colegas;
Desempenho escolar abaixo do esperado;
Falta de atenção à segurança e acidentes recorrentes;
Pouca responsabilidade pessoal e dificuldade com regras.
👩💼 Na vida adulta:
Dificuldades no trabalho, trocas frequentes de emprego;
Gastos impulsivos e má gestão financeira;
Problemas nos relacionamentos afetivos;
Direção perigosa e multas recorrentes;
Estilo de vida menos saudável (sedentarismo, alimentação desregulada, uso excessivo de telas ou substâncias).
Esses sinais e prejuízos podem indicar que o TDAH está interferindo na sua rotina — mesmo que você tenha desenvolvido estratégias para “dar conta”.
O que fazer se você se identificou
Se você respondeu “sim” para a maioria das questões abaixo, pode haver uma alta probabilidade de TDAH:
Os sintomas estão presentes há pelo menos seis meses?
Eles começaram ainda na infância ou adolescência?
Causam prejuízos reais em áreas importantes da sua vida (trabalho, relacionamentos, finanças, estudos)?
Nesse caso, o próximo passo é buscar uma avaliação profissional, preferencialmente com um neuropsicólogo ou psiquiatra especializado.
A avaliação neuropsicológica é um processo cuidadoso e objetivo que ajuda a entender o funcionamento da atenção, memória, controle inibitório e outras funções executivas. Ela permite diferenciar o TDAH de outras condições que podem gerar sintomas semelhantes, como ansiedade, depressão ou sobrecarga emocional.
Em resumo
O TDAH é real, é complexo — e tem tratamento.
Com diagnóstico adequado, acompanhamento terapêutico e, quando necessário, medicação, é possível viver com mais foco, equilíbrio e qualidade de vida.
🔹 Márcia Feijó
Neuropsicóloga | Psicoterapeuta | Especialista em Ansiedade, Estresse e TDAH
Atendimento a adolescentes, adultos e executivos.
📍 São Paulo | 💻 Atendimento presencial e online
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